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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pra não dizer que não falei de flores II



Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Isa Musa, Vozes de Ouro Preto





VOZES DE OURO PRETO

(Isa Musa de Noronha)

Escute bem essas pedras...
Sim. Se você prestar atenção
É possível que as ouça.

Sente esse cheiro de coisa antiga?
Couro, madeira, quemsabe, flores?
Esse é o ar de Ouro Preto!

Aqui se respira liberdade!
Aqui se ouve no vento: Liberdade...
Quando os pássaros cantam,
Você pode ouvi-los cantarolar: Liberdade!

Outras vozes se misturas
Aos sons e cheiros das coisas...
Ouça os murmúrios...
Feche os olhos e ouça o Alferes
E sua ira...

Agora, reconhece esse que chora por Marília?
É Tomás e sua amada não mais responde...
Longe, Alvarenga
Chama por sua Bárbara Bela...
A do Norte, estrela.

Um tropel agora nos assusta...
São soldados da Coroa que chegam!
Trazem a cabeça do herói em sangue e
Ouça! O povo recebe o Alferes.

Podemos agora ouvir os tiros,
Podemos agora ouvir o som das chibatas
O sal no terreno jogado,
Pois era para ali nada nascer,
Mas eles se enganaram...

As sementes plantadas,
Vingaram todas!
No coração de Minas
As sementes cresceram em árvores de
Liberdade!!!
Para sempre
Minas Gerais!


Armazém de Poesia VII




Isa e Manoel cantando Fado Tropical do Chico Buarque

Fado Tropical

Chico Buarque

Oh, musa do meu fado,
Oh, minha mãe gentil,
Te deixo consternado
No primeiro abril,

Mas não sê tão ingrata!
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!

"Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."

Com avencas na caatinga,
Alecrins no canavial,
Licores na moringa:
Um vinho tropical.
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!

"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa,
Pois que senão o coração perdoa".

Guitarras e sanfonas,
Jasmins, coqueiros, fontes,
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!


Armazém de Poesia IV